domingo, 13 de janeiro de 2013

Adeus de Love: em débito com atleta e CSKA, Fla abre mão do artilheiro



Ao recusarem conceder entrevista sobre a saída de Vagner Love do Flamengo, o presidente Eduardo Bandeira de Mello e o atacante deixaram a impressão de que o pronunciamento feito na Gávea na noite deste sábado foi uma manobra ensaiada. Sem responder perguntas, ambos mostraram desconforto ao falar sobre o rompimento. O jogador deu a entender que não gostaria de sair do clube. Disse estar de "coração na mão" por conta da decisão de aceitar a oferta para voltar ao CSKA. Segundo o mandatário e o atleta, ela foi tomada em conjunto.

Principal expoente do time na última temporada, Love deixa o Flamengo insatisfeito e sentindo-se de mãos atadas. O processo até a saída irritou profundamente o Artilheiro do Amor. Na noite de sexta-feira houve uma reunião tensa em um dos quartos do hotel Windsor, que serve de concentração para a delegação rubro-negra durante a pré-temporada no Rio de Janeiro. Trancados, o diretor executivo Paulo Pelaipe, Vagner Love e o empresário Evandro Ferreira discutiram os trâmites da rescisão.
Em janeiro de 2012, sob condução do ex-vice de finanças Michel Levy, o Flamengo aceitou pagar em quatro parcelas € 10 milhões (R$ 27 milhões na cotação atual) pelos direitos econômicos do atacante. Ao longo do ano passado, os russos receberam € 4 milhões (R$ 10,8 milhões). 
Atolada em penhoras e com quase todas as receitas deste ano comprometidas, a nova diretoria não resistiu ao flerte do CSKA, que começou em agosto e se intensificou após o Réveillon. O ex-clube de Love acenou com uma proposta simples: “esquecer” os € 6 milhões (R$ 16,2 milhões) pendentes para a conclusão do negócio e ter o jogador de volta. Além disso, fez uma proposta salarial vantajosa ao artilheiro.
Atolada em penhoras e com quase todas as receitas deste ano comprometidas, a nova diretoria não resistiu ao flerte do CSKA, que começou em agosto e se intensificou após o Réveillon
O Flamengo disse a Love que não teria como arcar com a dívida com o CSKA. No acordo entre os clubes, o saldo deveria ser quitado até 2014. O Rubro-Negro também tinha uma dívida com Vagner. Ele recebia um salário de cerca de R$ 500 mil. Os pagamentos de luvas e de R$ 1,2 milhão de direitos de imagem estavam atrasados. Diante do quadro que via pela frente, a atual diretoria procurou o atacante e também deixou claro que não teria como pagá-lo. Love se viu com apenas uma opção: sair do clube. Ele abriu mão da maior parte do débito referente a direitos de imagem.

Segundo relatos de funcionários do Windsor, após a reunião, Love desceu ao saguão irritado e contou da iminente saída para outros jogadores. Ele decidiu deixar a concentração na mesma noite, mas foi convencido a dormir no hotel e treinar na manhã de sábado. Após a sessão de treino, um outro encontro sacramentou a rescisão e finalizou a segunda passagem do Artilheiro do Amor no Flamengo. Love foi ao CT na parte da tarde, mas não treinou. Apenas se despediu. Aos companheiros, disse que viajará a Moscou na próxima terça-feira.   
    
A decisão de abrir mão do goleador surpreende porque, na última semana de 2012, Pelaipe se reuniu com ele e reiterou o desejo de mantê-lo. Na ocasião, houve até uma garantia de que os débitos seriam quitados. Vagner também ouviu do dirigente a promessa de que o Flamengo teria um time forte neste ano. 

Um ano a mais de contrato
Vagner Love tinha mais três anos de contrato com o Flamengo e não dois como fora divulgado há um ano, na época de sua contratação. Em janeiro de 2012, o Rubro-Negro informou que o vínculo iria até o fim de 2014. Na hora da assinatura, no entanto, houve uma composição financeira, e o jogador fechou por quatro temporadas.
Na segunda passagem, Love disputou 52 jogos e marcou 24 gols. Somando os seis meses em que esteve no clube em 2010, Love disputou 81 partidas e marcou 47 vezes (média de 0,58 gol/jogo). Ele não conquistou título algum no clube de coração.
Por Eduardo Peixoto e Richard SouzaRio de Janeiro

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