segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Marcos Café irá se aposentar do apito no próximo dia 3



Com quase cem jogos em competições nacionais, o árbitro Antonio Marcos Barros Café, hoje aos 49 anos de idade, prepara para o próximo domingo (3) sua despedida do apito.

A convite da Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (ACEA), ele irá abrir e fechar a disputa do Torneio Início do Campeonato Acreano Chevrolet/2013.

FOI GOLEIRO

Café, assim como é chamado pelos amigos, além de árbitro, ainda arriscou por uma década fechar o gol de equipes amadoras e profissionais de nosso futebol. O árbitro teve passagem por Vasco da Gama e São Francisco, ambos do Acre, além de Rio Branco e Independência.

Nos gramados, Café lembra que certa vez, após uma excelente partida por um clube amador, numa vitória contra o Rio Branco FC, então comandado pelo técnico Coca-Cola, recebeu o convite para fazer parte do elenco estrelado.

VIDA DE ÁRBITRO

  Inspirado no pai, José Nerton Café, árbitro do futebol das décadas de 1960 e 1970, Café começou a vitoriosa carreira de árbitro apitando peladas de competições amadoras no Panorama, SESC e Calafate. Porém, certa vez, o cronista esportivo Raimundo Fernandes, ficou impressionado com a qualidade técnica apresentada por Marcos Café durante uma partida disputada nas dependências do Calafate.

O cronista logo tratou de indicá-lo para Adônidas Feitosa (Barbadinho), então membro da comissão de arbitragem de Federação de Futebol do Acre. Semanas depois, após um curso de arbitragem orientado pelo ex-árbitro José Ribamar, um dos melhores da história de nosso futebol, foi suficiente para o então aspirante a árbitro, despontar não apenas em jogos locais, mas, também em competições nacionais.

  O bom jogo de cintura, a leitura assídua das regras, o bom condicionamento físico, durante a carreira de quase duas décadas foram suficientes para o árbitro dirigir sete fanais de Campeonato Acreano, assim como uma decisão de Campeonato Brasileiro da Série “B” de 2000, entre São Caetano 1 x 3 Paraná Clube, no Parque Antarctica, onde ainda expulsou o saudoso lateral esquerdo do azulão, Serginho.

DIA DE “CÃO”

Com apito na boca, Café cita como um dos jogos mais difíceis que dirigiu no cenário local ocorreu no duelo entre Vasco da Gama e Rio Branco, em 1999. O Vasco da Gama abriu boa vantagem, mas não segurou o resultado e deixou Rio Branco empatar. O culpado pelo resultado, infelizmente, caiu sobre a nossa arbitragem, assim como ocorre costumeiramente.

Outro jogo complicado que Marcos Café lembra, segundo ele próprio, foi o confronto entre Paysandu e São Caetano, na Curuzu (PA). O jogo era chave para o Papão, mas não deu para os paraenses saírem classificados, apesar de toda a pressão da torcida.

Entre uma lembrança e outra da carreira, Marcos Café lembrou ainda de uma partida na cidade de Araras (SP), quando a equipe local, o União São João não venceu o Vitória (ES) e acabou rebaixada nos primeiros anos de 2000. “A torcida estava furiosa e queria um cristo para crucificar então fui aconselhado a sair escoltado do estádio pela polícia”.

Anapolina (GO), Mogi Mirim (SP) e Grêmio (RS) foram outras equipes que Marcos Café teve a experiência de dirigir jogos decisivos e presenciar o rebaixamento dessas agremiações. O Grêmio, por exemplo, foi rebaixado, no estádio Olímpico, ao ser derrotado pelo Criciúma, por 2 a 0, em 2004.

Outro jogo complicado dirigido pelo árbitro ocorreu na abertura do Campeonato Brasileiro/2003. Ao lembrar do fato, Marcos Café explica que tinha acabado de realizar uma das melhores arbitragem da carreira pela Copa do Brasil, quando o Nacional (AM) havia derrotado, em Manaus (AM), o São Paulo. O então diretor de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Armando Marques, não pensou duas vezes e o convidou para dirigir o jogo do Santos [então atual campeão brasileiro] contra o Paraná Clube, dia 30 de março daquele ano, na Vila Belmiro.

Era um prova de “fogo”, então não rejeitei e fui para confronto, apesar de achar que o Armando Marques poderia ter esperado um pouco mais para escala-me num confronto como aquele. O Paraná Clube, então dirigido por Cuca, veio retrancado, abriu dois gols de vantagem no placar. O Santos, de Robinho, Diego e Ricardo Oliveira, diminui a vantagem e queria o empate a todo custo, inclusive pressionando a nossa arbitragem. Numa jogada na grande área dos paranaenses, o meia Diego foi tocado pelo zagueiro. Na hora, não vi pênalti, apenas outra simulação do santista [algo comum], mas depois no televisor, observei que tinha errado. Paciência. O jogo acabou 2 a 2, com o técnico santista Emerson Leão, creditando o empate a minha arbitragem e querendo punição para a minha carreira.

TODOS “CONTRA” A ARBITRAGEM

Numa análise do atual momento da arbitragem, Café entende que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está tirando um pouco a autoridade da arbitragem. “Eles querem que o árbitro apenas termine o jogo. Isso deixa muitos jogadores a vontade para apontar o dedo na cara do juiz da partida e soltar dezenas de adjetivos” contra a sua pessoa. Vejo isso com muita preocupação e acredito que algo tem que ser feito, pois o árbitro é um profissional como qualquer outro, explica Café.

Marcus Café explica ainda que no Brasil é comum o atleta jogar o árbitro contra a torcida [pressão], algo não muito comum na Europa e outros países Sul-americanos.

Ele também lamenta o fato de muito não entenderem que o árbitro precisa tomar uma decisão em questões de segundos, não depois de repetidas vezes analisando o lance sofá da sala e sentado à frente do televisor.

A respeito do tema [arbitragem] ele sugere aos árbitros, principalmente os iniciantes, muita tranquilidade para fugir das provocações dos atletas durante os chamados jogos “quentes”. Conhecimento da regra, condicionamento físico e coragem, são virtudes, segundo ele, imprescindíveis para ser na carreira de um árbitro.

Na matemática dos números, Marcos Café, segundo ele, teria apitado jogos de 17 clubes inseridos na elite do Campeonato Brasileiro/2013. Confira: Inter, Grêmio, São Paulo, Vasco da Gama, Santos, Ponte Preta, Portuguesa, Atlético/MG, Cruzeiro, Goiás, Bahia, Vitória, Botafogo/RJ, Criciúma, Náutico, Atlético/PR e Coritiba. O árbitro lembra que apenas não apitou jogos da dupla Fla-Flu, assim como do Corinthians. O Palmeiras, Sport, Guarani, Santa Cruz e tantos outros também já passaram no clive de seu apito.

AGRADECIMENTO À IMPRENSA

A respeito da homenagem preparada pela Associação dos Cronistas Esportivos (ACEA) para o próximo domingo, quando ele irá abrir e fechar a disputa do Torneio Início do Campeonato Acreano Chevrolet/2013, Marcus Café agradece de coração a crônica esportiva.

- Sempre tive boa relação com a imprensa. Tenho ciência que esses profissionais tiveram papel importante na minha carreira. Muitos deles (Manoel Façanha, Paulo Roberto, Raimundo Fernandes e Alberto Casas) foram conselheiros importantes em momentos bons e ruins da minha carreira. Sinceramente, agradeço a todos da mídia esportiva, sem eles, jamais seria uma pessoa conhecida e respeitada na sociedade.

FOI UM PAI

Outra pessoa importante na carreira do árbitro é o presidente da Federação de Futebol do Acre (Ffac) Antonio Aquino Lopes. Olha, o presidente Aquino Lopes foi o mentor responsável do meu sucesso na arbitragem nacional. Foi ele que buscou meu espaço. Só tenho que agradecer a ele e dizer a todos que ele foi um pai para mim.


GANHA PÃO

Hoje, para ganhar o pão, Marcos Café vive do salário de auditor fiscal [coordenador geral dos espaços público-Rapa]. Porém, ainda “ataca” de microempresário do ramo de turismo [Café Turismo], com duas vans locadas diariamente a empresas e pessoas físicas interessadas pelos serviços.

Café explica ainda que o tempo livre na vida busca dividir entre a esposa Edilane Martins, além das filhas Gelly Cristine, Sabrina da Costa e Sophia Barros.

FRASE

“Tudo que ganhei na arbitragem foi honestamente”
MARCOS CAFÉ, ÁRBITRO DE FUTEBOL

ÚLTIMO JOGO NACIONAL
PONTE PRETA X FORTALEZA (2004)
ÚLTIMO JOGO LOCAL
NÁUAS EC X RIO BRANCO FC (2012)

FICHA TÉCNICA

NOME: MARCOS ANTONIO BARROS CAFÉ
NASC. 14/12/1963 [49 ANOS]
NATURAL: RIO BRANCO
PROFISSÃO: AUDITOR FISCAL
ESTADO CIVIL: CASADO
FILHOS: 03
FINAIS DE ESTADUAL: 07
FINAL NACIONAL: SÉRIE B/2000
TOTAL DE JOGOS: SÉRIE A: 20
TOTAL DE JOGOS: SÉRIE B: 25
TOTAL DE JOGOS: SÉRIE C: 38
TOTAL NA COPA BR: 10

Por Manoel Façanha

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