terça-feira, 30 de março de 2010

Repercussões da partida de Armando Nogueira

A perda de um grande profissional sempre repercute demais. Sendo este profissional um ícone da profissão, como foi Armando Nogueira no jornalismo, mais ainda. E é daquelas personalidades que eu, pelo menos, nunca penso que a hora de partir chegará. Sim, sei que ele estava doente há muito tempo, tanto pelos três anos fora do batente, quanto pelo nítido estado delicado de saúde que enfrentava quando apareceu para homenagens há dois anos - homenagens em vida, felizmente. A segunda-feira foi de reverências e lembranças aqui, ali e acolá, de todos os cantos, em diversos veículos ou de corpo presente no velório no Maracanã.

Melhor do que citar sua trajetória profissional (um pouco dela já devidamente contada por este PB na página dedicada a ele no "PM: Profissionais"), é citar frases e considerações de personalidades do jornalismo sobre o Armando (fontes: Folha Online, blog da "Canal 1", GloboEsporte.com, UOL Esporte, Tênis Brasil, ClicRBS e R7):

"Armando Nogueira colocou o tênis na TV Globo. Em 82, eu transmiti Roland Garros e Wimbledon, domingo de manhã." (Álvaro José)

"Armando está agora num plano bem superior ao nosso e cercado de paz absoluta. Os anjos abriram as portas do Céu e ele atendeu o chamado." (Antônio Maria Filho)

"Ele não teve dor física, mas teve dor na alma pelo fato de não poder falar e ser uma pessoa que tinha muito o que passar." (Armando Augusto Nogueira, o Manduca, filho único e jornalista da Globosat)

"O comandante decolou. Armando tinha paixão por ultraleves. Sempre foi nosso mestre. Quando chegar nossa vez, o caminho estará pronto, ele nos dará todas as instruções." (Galvão Bueno)

"O mestre Armando abre um vazio no jornalismo brasileiro. Não tem substituto e nem herdeiro. Mas deixa um exército de discípulos agradecidos. Eu e o (Ricardo) Boechat entre eles." (Joelmir Beting, no "Jornal da Band")

"É uma figura especial. Sem ele, o telejornalismo no Brasil não seria o que é hoje." (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que dispensa apresentações)

"Fico aqui com minha dor, incapaz de ser minimamente objetivo. O Brasil perde um belo jornalista, mas antes de tudo um homem de bem, um enorme ser humano." (Juca Kfouri)

"O Armando me disse uma frase que me marcou muito e eu nunca esqueci: que eu podia criticar sem ofender e elogiar sem bajular." (Júnior)

"Saudade que fica. Ensinamentos para sempre. Conhecer e conviver com Armando Nogueira foi um dos melhores presentes que recebi na profissão." (Lédio Carmona)

"Ele era um poeta, indiscutivelmente. Acho até que, se os acadêmicos da Academia Brasileira de Letras tivessem pensado bem, deveriam tê-lo eleito para uma cadeira." (Luiz Mendes)

"O Armando Nogueira que conheci era, antes de tudo, generoso. Presenteava aquela bancada com seu tempo, sua experiência, seus conselhos sobre jornalismo e esporte." (Marcelo Barreto, remetendo às participações dele no "Redação Sportv" toda quarta-feira)

"No Brasil, Garrincha é Nelson Rodrigues e Armando é o Pelé do jornalismo esportivo. É o mestre que, como grande sábio, não gostava de ser chamado assim." (Mauro Beting)

"E lá se foi a grande pena, o grande mestre do texto. Ninguém escreveu tão bem sobre futebol como ele. Seria inútil tentar." (Roberto Avallone)

"Uma figura encantadora, um jornalista exemplar, um poeta. Boa vida eterna, Armando. Você merece." (Rosana Hermann, blogueira do R7)

"Ele está naquela galeria especial dos primeiríssimos nomes. Armando transformava a emoção que o futebol era capaz de proporcionar em um texto quase sempre de caráter poético." (Ruy Carlos Ostermann)

"Era um prazer tê-lo como colaborador, mas era um prazer ainda maior ser seu amigo. Hoje, fico com essa lição: é possível ser sério, disciplinado, rigoroso, sem nunca deixar para trás o frescor da juventude." (Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo)

"Armando foi um grande homem, um filósofo e um poeta. É o tipo de pessoa que não desaparece, só muda de estágio. Agora, ele está em outra frequência." (Telmo Zanini)

"Sabia que iria ter uma aula de jornalismo e fiquei muito feliz. E como aprendi. Só tenho a agradecer pela oportunidade de ter convivido com você, Armando." (Vanessa Riche)

"O Armando vai descansar sabendo que o 'Jornal Nacional' se transformou num gigante criado por ele." (William Bonner, apresentador e editor-chefe do "JN")

Ainda sobre Armando Nogueira, outros destaques:

*Ontem, seu Botafogo venceu o Boavista, em São Januário. Uma faixa homenageando ele estava na arquibancada de São Januário, como veem aqui.

*"Bem, Amigos!" de ontem recuperou uma participação do Armando no "Programa do Jô", em 2003, onde tocou gaita junto com o Sexteto, o que assistem aqui. Ele aprendeu a tocar gaita depois dos 60 anos.

*Foi encaminhado ontem à Câmara de Vereadores do Rio um projeto de lei, de autoria de Eider Dantas (DEM), para que se dê o nome do Armando ao Parque Olímpico que será construído para os Jogos Olímpicos de 2016 (fonte: GloboEsporte.com).

*Daqui a um mês, deve ser inaugurado no Maracanã um projeto chamado Academia de Ideias Armando Nogueira, próxima ao portão 18, no corredor dos elevadores, um espaço reservado ao seu trabalho, livros e crônicas. Projeto em parceria do filho Manduca com a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do RJ, cuja secretária Márcia Lins conviveu com o jornalista quando ele era diretor de jornalismo da TV Globo e ela estagiária, em 1985 (fonte: GloboEsporte.com, Fabrício Costa).

*Dentre as várias homenagens de luto, uma delas será observada em todas as partidas da Copa do Brasil nesta quarta-feira, com um minuto de silêncio em memória a ele.

*Armando Nogueira será enterrado logo mais, às 12h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Que descanse em paz.

*E pra fechar, recorro ao "Momento Raridade Rara" para uma preciosidade: assistam aqui (postado por thetapevideos) um trecho do "Cartão Verde", da Cultura, do qual fez parte da primeira formação - no vídeo, forma trio com Flávio Prado e José Trajano (depois, Armando sairia pra Bandeirantes e entraria Juca Kfouri). Um dos convidados era o jovenzinho Ronaldo Nazário, 17 anos. E Nogueira... Bom, vejam o vídeo, que vale muito a pena.
 
fonte: Papo de Bola

Um comentário:

Mario disse...

O jornalismo brasileiro e a crõnica esportiva perde realmente uma referência. O Acre, também, perde um filho nobre. Armando homem inteligente, culto, simples e humilde, ajudou a divulgar o nome de sua terra natal, o ACRE e sua XAPURI. Ele fazia questão de dizer onde nascera. Que teu lugar esteja reservado ao lado do Pai.