terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sobram gols e falta público no Estadual 2011


Com média de gols superior a campeonatos regionais como o Carioca, Paulista, Gaúcho e Paraense, o Campeonato Amazonense não atrai público aos campos de futebol. Poucos torcedores têm o prazer de ver muitos gols. O público pagante e a renda diminuem a cada rodada. Na primeira, que teve um jogo transmitido pela TV – empate em 2 a 2 entre Penarol e Rio Negro, em Itacoatiara (a 176 quilômetros a oeste de Manaus) –, três mil pessoas pagaram ingressos contabilizando as quatro partidas. Na quarta rodada, no último fim de semana, pouco mais de 1,5 mil torcedores compareceram aos estádios.

Na primeira rodada, nos dias 29 e 30 de janeiro, 2,917 mil torcedores pagaram ingressos. Um dos maiores públicos foi registrado no Estádio Floro de Mendonça, casa do Penarol: 1,716 mil. A renda da estréia contra o Galo foi de R$ 16,950 mil. A frequencia mudou na quarta rodada. Nem a soma de público e arrecadação dos quatro jogos disputados supera os números do confronto de abertura do Estadual no interior. No sábado, os jogos foram: Rio Negro x Nacional e Fast Ulbra x Princesa do Solimões. No domingo (20) jogaram: Sul América x Penarol e Operário x São Raimundo. Este jogo, em Manacapuru (a 68 quilômetros a leste da capital, teve 95 pagantes, o menor público do Estadual até agora). Com exceção dessa partida, as demais somaram 1,551 pagantes e renda de R$ 13,615 mil, quase a metade do total da primeira rodada, que teve um superávit de R$ 25,385 mil.

A rodada do último final de semana só não foi um desastre de renda e público graças ao tradicional clássico Rio-Nal, entre Rio Negro e Nacional, que levou 1.090 torcedores ao Estádio Roberto Simonsen e gerou uma receita de R$ 9,405 mil. A segunda rodada do Estadual teve 2,544 mil pagantes e renda total de R$ 23,025 mil. Na semana seguinte (terceira rodada), 2.137 torcedores pagaram ingressos em quatro partidas e geraram uma receita de R$ 18,665 mil. Em 15 dos 16 jogos disputados até agora, 9,149 torcedores pagaram ingresso. A média de público foi de 609 por partida.


Entre os motivos que influenciam na diminuição do número de torcedores nos estádios está a falta de campos para realização das partidas na capital (apenas o Estádio Roberto Simonsen tem condições de receber jogos), a localização e precariedade do sistema de transporte coletivo nos finais de semana. Esse é o posicionamento do presidente do São Raimundo, Orlando Saraiva. O dirigente diz que o torneio tem bom nível técnico e muitos gols, mas o torcedor precisa enfrentar uma verdadeira maratona para chegar ao estádio. “O São Raimundo, o Sul América e o Fast (times de Manaus) têm a maior concentração de torcedores na região do centro. Para acompanhar as partidas, o público tem que cruzar a cidade (até a zona leste), de ônibus. Por isso desiste antes mesmo de sair de casa”, argumentou Saraiva.


O despreparo e a falta de planejamento da capital do Estado para o período que ficará sem o Estádio Vivaldo Lima, em obras para os jogos da Copa do Mundo de 2014, também é um agravante. “Não houve planejamento para substituição do Vivaldão, que ficava perto de todas as áreas da cidade”, lamentou Saraiva.

Fonte: Bruno Elander

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