terça-feira, 20 de setembro de 2011

Eliminado no STJD, Estrelão acusa Promotoria de perseguição

Excluído da Série C em primeira instância, o Rio Branco recorreu da decisão e pode voltar ao campeonato.

Mas, se o pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) confirmar o rebaixamento do time à quarta divisão, o presidente Natal Xavier promete renunciar ao cargo. "Querem acabar com o futebol do Acre", disse à Folha o cartola. "Se o Rio Branco for punido, não vale a pena mais ficar [no comando do time]."

Líder do grupo A da Série C, o time do Acre foi rebaixado porque, em disputa judicial, acionou a Justiça comum antes de se esgotarem os recursos na Justiça Desportiva, o que é proibido pela Fifa.

O governo do Acre foi à Justiça, com a anuência do time, após o Ministério Público vetar a presença de torcedores no estádio Arena da Floresta.

Se voltar, o Luverdense-MT, que obteve vaga para a próxima fase com uma vitória sobre o Águia-PA no domingo, ficará de fora.

Para o cartola acreano, a promotora Alessandra Marques está perseguindo o clube. Ela vetou torcida na Arena da Floresta com base no Estatuto do Torcedor e no Código de Defesa do Consumidor. "Estamos sendo penalizados por uma briga pessoal. A promotora deve ter algum problema com alguém do governo", disse o presidente.

Em entrevista à Folha, a promotora Alessandra Marques afirmou que só está tentando cumprir a legislação. Segundo ela, a Arena da Floresta oferece risco à segurança do torcedor. "O estádio não tem condições de jogo porque não cumpriu nenhuma das exigências de engenharia", afirmou ela. "Tinha que sanar as irregularidades, e eu certifiquei a CBF sobre isso. Não tinha condições de segurança, tem problema de estrutura, alguns sérios."

Para a promotora, o culpado pelo possível rebaixamento do Rio Branco é a diretoria do clube e o governo acriano. "O Estado do Acre foi quem incentivou o clube a entrar nesse. Eles se esqueceram que o Rio Branco podia receber punições", afirmou a Alessandra.

O Luverdense-MT, que sairá da próxima fase caso o Rio Branco consiga sucesso no recurso, está acompanhando de perto a disputa judicial. "Foi um erro primário. O regulamento tem que ser cumprido", disse o presidente Helmute Augusto Lawisch.

Mas, caso o Rio Branco volte através da Justiça, Lawisch diz que cumprirá a decisão sem estender a batalha judicial.

Entrevista com Alessandra Marques, promotora Promotora de Justiça de Defesa do Consumidor:

Folha - O presidente do Rio Branco diz que você age por um impulso pessoal, que está prejudicando o time por um problema que teria com governo do Acre...
AM - Eu só estou cumprindo Estatuto do Torcedor. O estádio não tem condições de jogo porque não cumpriu nenhuma das exigências de engenharia. Não pode continuar assim. Ninguém pode colocar em risco a vida do torcedor. Se houver alguma tragédia na Arena da Floresta, o governo do Acre vai ser responsabilizado.

Folha - O estádio é conhecido nacionalmente por ser moderno, bem conservado, e foi usado normalmente na Copa do Brasil e no Estadual. Por que a interdição agora?
AM - O Arena [da Floresta] é de 2004, mas ele não foi concluído totalmente. É uma obra nova, mas apresenta problemas que precisam de exames aprofundados. Não é uma coisa calamitosa, mas como não foi totalmente terminado, tem vários problemas.

Folha - Por exemplo...
AM - Lá não se separa a torcida visitante, da local. A torcida de fora acaba ficando no meio da local. E há um despreparo de quem pensa a segurança. É tudo no improviso. Não tem sistema de monitoramento por câmera, por exemplo.

Folha - O presidente do Rio Branco diz que você está tentando acabar com o futebol do Acre.
AM - Ele não tem honradez necessária para dizer isso da minha pessoa. Graças à ação inconsequente dele, ele está prejudicando uma torcida imensa. Eu não tenho problema com ninguém. Eu nem sou do Acre [é de Minas Gerais]. Assim que eu terminar o meu trabalho, eu vou embora. Não tenha histórico de perseguir ninguém. Eu apenas cumpri o Estatuto do Torcedor e o Código de Defesa do Consumidor. É simplesmente segurança do torcedor. Eu cumpro lei que existe. Enquanto existirem leis assim, eu vou continuar cumprido, não importa contra quem for.
Fonte: Folha Online

2 comentários:

Anônimo disse...

inistscÉ em cumprir a Lei ela tem razão, agora porque não cobrou isso antes?

Anônimo disse...

Eu concordo com ela, so ta fazendo o seu trabalho, quem errou foi o rio branco, agora arque com as consequencias.