quarta-feira, 23 de abril de 2014

Opinião por Francisco Dandão


Páscoa

Francisco Dandão

Fui ali a Manaus, no feriadão, mas já voltei. Foi o tipo da viagem bate e volta. Fui na quinta-feira e voltei no domingo. Fui de GOL. Um aperto só. Lanche no avião, nem pensar. Não vale a pena do ponto de vista do custo benefício. Sai pelos olhos da cara. Ruim e caro. Como era Páscoa, tratei de adotar o costume dos cristãos e decretei um jejum durante o voo.

Aproveitei a estada em Manaus para comer todo o pescado possível. A capital amazonense tem inúmeras peixadas, com receitas para todos os paladares. Do pirarucu ao dourado, passando pela matrinxã, até chegar ao jaraqui, tudo delicia as almas que não se apequenam. Da minha parte, nada supera o tambaqui assado sem espinha, que eles preparam em bandas.

E aproveitei também para assistir a uma das semifinais pelo campeonato estadual. Justamente o jogo entre Nacional e Manaus. Dois a zero para o Nacional, com um dos gols sendo marcado pelo centroavante Leonardo. Aquele mesmo que jogou no Acre pelo Atlético, pelo Plácido de Castro e pelo Rio Branco. Gol de bela feitura e raro senso de oportunismo.

A partida em si não foi nenhum docinho de coco de primor ou de técnica. Os jogadores demonstraram muita vontade, sim. Mas jogadas trabalhadas e de alguma beleza plástica, daquelas do tipo que arrancam suspiros da plateia, isso não se viu não senhor. Tanto que os torcedores presentes (poucos, porém barulhentos) mais vaiaram do que aplaudiram.

Do lado do Nacional, além do Leonardo, só mais uns três chamaram a minha atenção: um meia de nome Chapinha (oriundo do futebol nordestino e o mais lúcido entre os nacionalinos), o lateral-esquerdo e um atacante, cujos nomes provavelmente eu jamais saberei. Do lado do Manaus, gostei só do goleiro. Todo o resto parecia japonês. Tal e qual!

Futebol, turismo, gastronomia e Páscoa à parte, entretanto, o que mais marcou essa última semana, no meu entender, foram as passagens para o outro lado da vida do escritor colombiano Gabriel García Márquez e do locutor esportivo brasileiro Luciano do Valle. Duas figuras públicas que, cada uma na sua função, eu acompanhei durante uns bons 30 anos.

De García Márquez eu li quase tudo. “Cem anos de solidão”, quando eu ainda era um adolescente imberbe, foi o primeiro. “Notícias de um sequestro”, que eu comprei na minha recente viagem a Cartagena de Índias, cidade que ele adorava, foi o último. E quanto ao Luciano do Valle, foi ele quem me fez apreciar esportes tão díspares quanto boxe e sinuca.

Por último, a título de encerramento destas mal traçadas, devo dizer a Gabriel que a memória das putas que ele um dia transformou em figuras da literatura nunca estiveram tão tristes. E dizer a Luciano que o grito de gol com o qual ele enchia as tardes de domingo permanecerá ecoando ao nosso redor. Como era Páscoa, talvez eles até ressuscitem! Pode ser. Ou não?













 Páscoa


Fui ali a Manaus, no feriadão, mas já voltei. Foi o tipo da viagem bate e volta. Fui na quinta-feira e voltei no domingo. Fui de GOL. Um aperto só. Lanche no avião, nem pensar. Não vale a pena do ponto de vista do custo benefício. Sai pelos olhos da cara. Ruim e caro. Como era Páscoa, tratei de adotar o costume dos cristãos e decretei um jejum durante o voo.

Aproveitei a estada em Manaus para comer todo o pescado possível. A capital amazonense tem inúmeras peixadas, com receitas para todos os paladares. Do pirarucu ao dourado, passando pela matrinxã, até chegar ao jaraqui, tudo delicia as almas que não se apequenam. Da minha parte, nada supera o tambaqui assado sem espinha, que eles preparam em bandas.

E aproveitei também para assistir a uma das semifinais pelo campeonato estadual. Justamente o jogo entre Nacional e Manaus. Dois a zero para o Nacional, com um dos gols sendo marcado pelo centroavante Leonardo. Aquele mesmo que jogou no Acre pelo Atlético, pelo Plácido de Castro e pelo Rio Branco. Gol de bela feitura e raro senso de oportunismo.

A partida em si não foi nenhum docinho de coco de primor ou de técnica. Os jogadores demonstraram muita vontade, sim. Mas jogadas trabalhadas e de alguma beleza plástica, daquelas do tipo que arrancam suspiros da plateia, isso não se viu não senhor. Tanto que os torcedores presentes (poucos, porém barulhentos) mais vaiaram do que aplaudiram.

Do lado do Nacional, além do Leonardo, só mais uns três chamaram a minha atenção: um meia de nome Chapinha (oriundo do futebol nordestino e o mais lúcido entre os nacionalinos), o lateral-esquerdo e um atacante, cujos nomes provavelmente eu jamais saberei. Do lado do Manaus, gostei só do goleiro. Todo o resto parecia japonês. 

Tal e qual! Futebol, turismo, gastronomia e Páscoa à parte, entretanto, o que mais marcou essa última semana, no meu entender, foram as passagens para o outro lado da vida do escritor colombiano Gabriel García Márquez e do locutor esportivo brasileiro Luciano do Valle. Duas figuras públicas que, cada uma na sua função, eu acompanhei durante uns bons 30 anos.

De García Márquez eu li quase tudo. “Cem anos de solidão”, quando eu ainda era um adolescente imberbe, foi o primeiro. “Notícias de um sequestro”, que eu comprei na minha recente viagem a Cartagena de Índias, cidade que ele adorava, foi o último. E quanto ao Luciano do Valle, foi ele quem me fez apreciar esportes tão díspares quanto boxe e sinuca.
Por último, a título de encerramento destas mal traçadas, devo dizer a Gabriel que a memória das putas que ele um dia transformou em figuras da literatura nunca estiveram tão tristes. E dizer a Luciano que o grito de gol com o qual ele enchia as tardes de domingo permanecerá ecoando ao nosso redor. Como era Páscoa, talvez eles até ressuscitem! Pode ser. Ou não?

Francisco Dandão

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