terça-feira, 30 de novembro de 2010

COI diz que vai examinar denúncia de suposta corrupção na Fifa

 

Reportagem de TV britânica aponta irregularidades na entidade

Por Das agências de notícias Lausanne, Suíça
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta terça-feira que examinará qualquer prova de suposta corrupção de um de seus membros, após uma reportagem da BBC sobre os casos de irregularidades da Fifa.
A reportagem, exibida na segunda-feira, acusa três membros do comitê executivo da Fifa, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Texeira, o presidente da Confederação Africana (CAF), Issa Hayatou, e o presidente da Confederação Sul-Americana, o paraguaio Nicolás Leoz. Issa é membro do COI.

- O COI tomou nota das acusações feitas pelo (programa) Panorama e pedirá aos produtores que entreguem qualquer prova que tenham", afirma um comunicado da organização. O COI tem "tolerância zero" com a corrupção e levará o tema a seu comitê de ética - diz o comunicado.
Segundo a reportagem, os três integrantes do comitê executivo da Fifa receberam subornos de uma empresa de marketing há mais de uma década década em um caso de corrupção. Eles integram o organismo da Fifa que designará na quinta-feira em Zurique as sedes das Copas do Mundo de 2018 e de 2022.

Em comunicado, a entidade máxima do futebol ressalta que as acusações são antigas e que o Tribunal Penal não condenou qualquer funcionário seu.

Em comunicado, Fifa ressalta que acusações sobre Teixeira são antigas

Entidade cita que Tribunal Penal não condenou qualquer funcionário seu

Por GLOBOESPORTE.COM Zurique, Suíça
A Fifa divulgou um comunicado em seu site oficial nesta terça-feira sobre as acusações envolvendo três membros do comitê executivo da entidade, entre eles o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Para a Fifa, “as questões relacionadas ao caso ISL/ISMM, que são referidos há muitos anos, foram investigadas por autoridades relevantes na Suíça”. A entidade cita que o Tribunal Penal de Zug não condenou qualquer funcionário em seu veredicto, no dia 26 de junho de 2008, e ressalta que a decisão foi tomada sobre assuntos ocorridos antes do ano de 2000 e que o inquérito foi definitivamente encerrado.
Ainda nesta terça-feira, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que examinará qualquer prova de suposta corrupção após a reportagem da BBC sobre os casos de ilegalidade envolvendo a Fifa. Além de Ricardo Teixeira, o presidente da Confederação Africana (CAF), Issa Hayatou, e o presidente da Confederação Sul-Americana, o paraguaio Nicolás Leoz, estão sendo acusados.

BBC diz que Teixeira e dirigentes da Fifa receberam comissões da ISL

Presidente da CBF teria recebido R$ 16 milhões da antiga agência de marketing da entidade entre 1989 e 1999

Por Agência de notícias Londres
A três dias da escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022, a BBC – o canal público de televisão da Inglaterra - exibiu nesta segunda-feira um programa denunciando vários dirigentes do futebol mundial - entre eles o presidente da CBF, Ricardo Teixeira - pelo suposto recebimento de pagamentos não-declarados da antiga, hoje extinta, agência de marketing da Fifa, a ISL/ISMM. O veterano repórter Andrew Jennings, responsável por diversas investigações sobre dirigentes esportivos, apresentou no programa Panorama um documento que comprovaria que Teixeira, o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolas Leóz e o camaronês Issa Hayatou, ex-presidente da CAF (a Confederação Africana de Futebol) receberam pagamentos da extinta agência de marketing da Fifa, a ISL/ISMM.
 A denúncia, que foi publicada nesta segunda também pelo jornal suíço "Tages-Anteiger" e pelo jornal alemão "Suddeustsche Zeitung", foi ao ar três dias antes da eleição na Fifa que vai escolher os países-sede para as Copas de 2018 e 2022. A Inglaterra é candidata a sediar 2018. Teixeira já anunciou que votará na candidatura Espanha-Portugal, assim como os outros sul-americanos, Julio Grondona (presidente da AFA, a Associação de Futebol Argentina) e Nicolas Léoz. Além dos ibéricos, Inglaterra, Rússia e outra candidatura conjunta, Holanda-Bélgica, disputam a organização da Copa de 2018. Austrália, Estados Unidos, Japão e Qatar estão na briga para organizar o Mundial de 2022.
Em evento esta tarde, em São Paulo, o Diretor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, disse que a denúncia é antiga:
- Não tem nada de novo e não tem fundamento algum. Há 11 anos existe isso e é uma investigação. Estou há nove anos na CBF e não vou dar mais versão oficial sobre isso pois todo ano é a mesma coisa.
Indiretamente, Rodrigo vinculou a denúncia aos interesses ingleses em 2018:
- Se a Inglaterra não ganhar 2018 ou 2022... eles vão virar os canhões para o Brasil. A Inglaterra é o único país que tem condições de organizar uma Copa em dois meses.
Ricardo Teixeira bateu em tecla semelhante - mas de modo diferente:
- Parte da imprensa, e não estou falando da brasileira, vem dizendo que o Brasil não tem condições de realizar o Mundial. Mas são sempre os mesmos. O papel da imprensa é levar a verdade e não fazer como fizeram na África, quando disseram que havia condições e aconteceu uma Copa de excelente nível.
O documento obtido pela BBC lista diversos pagamentos. O mais volumoso deles é para a empresa Sicuretta, sediada no paraíso fiscal de Liechtenstein, que recebeu US$ 36 milhões (cerca de R$ 62 milhões) entre 1989 e 1999. A empresa Sanud, também sediada em Liechtenstein, recebeu US$ 9,5 milhões de dólares (cerca de R$ 15 milhões) neste período. É ela, segundo o programa, a conexão com Ricardo Teixeira. Em 2001, a CPI do Futebol no Senado brasileiro quebrou o sigilo financeiro do dirigente da CBF e de suas empresas. A Sanud apareceu como dona de ações de algumas destas empresas. Por isso, o programa da BBC conclui que o dirigente brasileiro recebeu essa quantia.
No mês passado, a Fifa baniu dois membros do comitê executivo (o taitiano Reynald Temari e o nigeriano Amos Adamu) porque eles teriam recebido suborno para favorecer candidaturas na disputa pelas Copas do Mundo. A ISL/ISMM foi a falência em 2001, mas a corte de Zug, na Suíça, abriu uma investigação criminal sobre o caso. Em 2008, executivos da ISL foram multados por fraudes e crimes contábeis. Outro processo terminou este ano – quando dirigentes não-identificados da Fifa concordaram em devolver dinheiro que tinham recebido da falida empresa em troca de não terem seus nomes revelados. O acordo cível foi possível porque até 1999 não era crime na Suíça receber comissões por negócios não-declarados.
Jennings é um veterano repórter investigativo - que ficou célebre por ter publicado um livro ("Os senhores dos anéis") sobre a corrupção no Comitê Olímpico Internacional nos anos 90. Em 2007, ele publicou um livro sobre a Fifa ("Foul!") e, desde então, vem se dedicando a investigar os dirigentes da entidade máxima do futebol mundial.

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