sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os dez pecados capitais















O papel de criticar publicamente o trabalho de pessoas físicas e jurídicas na sociedade sempre é algo que incomoda muito. Quando você elogia, é muito raro alguém lembrar de você para agradecer, mas, quando você avalia negativamente o trabalho de alguém, seja de uma entidade ou de uma pessoa física, você começa a colecionar certa antipatia, mas isso é algo natural no mundo do jornalismo.

Respeitando essa naturalidade, e dentro de uma ética jornalística, e ao mesmo tempo realizando o meu trabalho diário e ouvindo vozes (atletas, dirigentes e torcedores), quero escrever hoje a respeito da campanha do Atlético Acreano na disputa do Campeonato Brasileiro da Série D, assim, enumerando aos senhores leitores dez pecados capitais, para a eliminação do glorioso celeste do 2º Distrito.

1 - A saída do técnico Álvaro Miguéis do comando técnico é tido como a grande praga para o time cair de produção, pois, antes de sua saída, o time celeste colecionava três vitórias em três jogos, além da liderança do Grupo A1.

2 – Infelizmente, o treinador perdeu a cabeça durante um bate-boca e agrediu o seu próprio goleiro (Máximo). Foi um ato inconcebível e a punição de demiti-lo é algo até aceitável, mas o retorno de Gilmar Sales ao comando técnico do clube, com todo respeito ao profissional, não agradou nem a gregos e tão pouco a troianos (é a voz das arquibancadas). Nos bastidores, chegou a existir comentários que o treinador teria refutado a ideia de reassumir o comando técnico do clube, mas acabou aceitando pela boa convivência com o presidente.

3 - Desde as primeiras rodadas, a crônica esportiva, assim como a torcida, pediram reforços. A diretoria fez ouvido de mercador e o resultado foi à eliminação do clube do torneio nacional, pois o grupo, além de reduzido, tinha inúmeros jogadores inexperientes.

4 – Antes de a bola rolar para a competição nacional, a diretoria do Rio Branco FC teria oferecido alguns reforços ao Atlético Acreano. O meia Douglas esteve perto do acerto, mas as negociações não fluíram. É bom lembrar que o poder público injetou R$ 350 mil no clube.

5 - A perda de seis pontos dentro de casa, numa competição curta como é a disputa do Campeonato Brasileiro da Série D, é algo que pesa bastante na hora de contabilizar os jogos disputados.

6 - A falta de maturidade de alguns jogadores é outro fator que conspirou, e muito, para a eliminação do Galo Carijó, ainda na primeira fase. Exemplo disso é justificado pelas informações que alguns estariam participando paralelamente a competição de peladas – competições amadoras.

7 - A ausência de um diretor de futebol disposto a apagar diariamente os “incêndios” dentro do Frotão, teria pesado para um melhor relacionamento entre técnico Gilmar Sales e demais jogadores do clube. Vide o exemplo do caso Joel. O atleta, por indisciplina, foi mandado embora pelo treinador, mas reintegrado minutos depois pelo presidente Edson Izidoro. Ficou o desgaste e o prejudicado foi o clube.

8 – A declaração do volante celeste Kinho, na sua página do facebook, deixou claro que o time não era mais uma “família”, como no início da competição. O grupo, com as derrotas e a demissão do técnico Álvaro Miguéis, estava à deriva e bem dividido. Um grupo do cicrano e outro do beltrano.

9 – À véspera da partida da última quarta-feira (29) contra o Penarol, alguns atletas chegaram a postar na sua página de facebook fotográfica com garrafa de cerveja em mãos. O assunto repercutiu negativamente.

10 – O bom relacionamento entre torcida e diretoria celeste, que durante o Campeonato Estadual estava afinadíssimo, não foi o mesmo na competição nacional. A saída do técnico Álvaro Miguéis e o apelo por reforços por parte dos torcedores e negado pela diretoria fizeram centenas de atleticanos deixarem as arquibancadas.

por Manoel Façanha

Um comentário:

Cesar - Antonina - PR disse...

Concordo com o relator. Sou do Paraná, mas sempre estou acompanhando o futebol acriano. Pra mim o ponto crucial foi a saída de Álvaro Miguéis. O curioso que na mesma noite do episódio, na vitória contra o Náutico (se não me falha a memória) em casa, Álvaro na entrevista após o jogo, não deixou transparecer nada de estranho.

Parecia que a liderança do grupo no final dessa fase seria uma questão de tempo. Foi o que não aconteceu infelizmente, assim como não ocorreu a classificação.

O Atlético poderia ter feito um acordo com o Rio Branco para ter vindo mais jogadores (não só o Douglas). Até escrevi isso no site do Senador Aníbal (um dos políticos mais ativos na causa do Rio Branco), sugerindo o empréstimo dos jogadores, assim como toda a comissão técnica, até que o Rio Branco tivesse parecer favorável na briga com o Treze. Acho que seria bom pro Rio Branco, pois daria ritmo de jogo aos jogadores, assim como reforçaria o Galo Carijó.

Olha infelizmente tem rir pra não chorar. O Atlético não classificado pra próxima fase, o Rio Branco nessa draga danada. Pelo que vejo é um dos piores momentos do futebol profissional do Acre.

De repente este seja o momento de fazer uma reflexão profunda. Ver quais foram os acertos e maximizá-los, e ver quais foram os erros (assim como foi colocado um deles neste post) e saná-los, para que num futuro próximo o Acre não venha para as competições nacionais (sem amadorismo em suas ações) para somente disputá-las, mas para vencê-las.