segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Francisco Reis por Francisco Dandão

 













Você, leitor, provavelmente jamais ouviu falar do senhor Francisco Reis da Silva Leite. Quem? Se, no entanto, eu lhe disser Deise Leite, aí a coisa muda de figura. Aí tudo se inverte, e muito dificilmente haverá quem não o conheça. Principalmente em se tratando de torcedor de futebol. Deise Leite, de “olhosch” (chiando bem) cor de mel e nenhum dinheiro no bolso.

De nenhum dinheiro no bolso, mas feliz da vida, como ele faz questão de dizer antes de cada partida de futebol e ao iniciar o programa de esportes da Rádio Difusora Acreana (a Voz das Selvas, não custa lembrar), todo meio-dia, de segunda a sexta-feira, direto dos estúdios da Rua Benjamin Constant, centro de Rio Branco, nas cercanias da catedral.

Pois o Francisco Reis da Silva Leite, o nosso querido Deise, de tão vibrante narração quando das peripécias dos nossos futebolistas, e de tão longo grito de gol, acaba de subir mais um degrauzinho na sua escalada rumo aos píncaros da glória. É que ele defendeu quinta-feira sua monografia do curso de jornalismo da Universidade Federal do Acre.

E o melhor de tudo é que, como se diz no popular, o citado Francisco Reis “Deise” Leite “juntou a fome com a vontade de comer”, produzindo um trabalho acadêmico cujo objeto foi a sua paixão da vida toda: o rádio. Um trabalho de quase cem páginas sobre “o discurso narrativo na formação do imaginário do ouvinte em uma partida de futebol pelo rádio”. Pois é!

Durante meses o cronista esportivo Deise Leite mergulhou fundo na produção deste seu trabalho de final de curso. Mergulhou fundo tanto na pesquisa de campo, que ele realizou no seringal Recife (localidade de difícil acesso, a mais de cem quilômetros de Rio Branco, aonde a televisão ainda não chega), quanto no referencial teórico de um certo Paul Ricoeur.

Paul Ricoeur, pra quem não sabe, é um dos maiores filósofos franceses do século XX. Um especialista em hermenêutica, fenomenologia e existencialismo, além de profundo estudioso das questões ligadas à narrativa. Um teórico somente adotado por estudantes e pesquisadores profissionais. Uma esfinge que o Deise Leite não teve medo de enfrentar.

Fora tudo isso (como se já não bastasse), o trabalho do Francisco “Deise” Leite tem muitos outros méritos. Muitíssimos outros. Um deles: nas páginas finais traz uma longa lista de citações peculiares do futebol. Quem já sabe, relembra; quem não sabe, fica sabendo. Outro mérito: é um trabalho farto em fotografias de colegas radialistas de todo o Estado!

Como é que eu sei de tudo isso? Simples, caríssimo leitor. Eu tive a honra e o prazer de ser convidado para a banca de avaliação da monografia. Eu e os professores Francisco Aquinei Timóteo (orientador) e Francielle Maria Modesto Mendes. Quanto ao Deise Leite, o homem agora é jornalista com formação universitária e tudo! De fato e de direito, portanto!

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